Preço baixo é principal atrativo de quem compra em sites internacionais, revela pesquisa da CNDL/SPC Brasil

Para 67% dos consumidores de lojas virtuais de fora do país, produtos com valores menores são principal vantagem. Roupas, calçados e acessórios estão entre os itens mais comprados

Os brasileiros têm comprado cada vez mais em sites internacionais e a principal razão para esse fenômeno são os preços atrativos dos produtos em relação aos praticados nas lojas virtuais no país. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que 29% dos consumidores conectados fizeram compras em sites internacionais nos últimos 12 meses. Desse total, 67% afirmaram que os valores mais baixos tiveram influência na hora de comprar em lojas online fora do Brasil, enquanto 46% apontaram a possibilidade de achar artigos difíceis de serem encontrados localmente. Outros 46%, procuram variedade de produtos e 35% vão em busca de itens novos que quase ninguém possui.

Os itens mais adquiridos são vestuário, calçados e acessórios, como cintos, bolsas e carteiras (47%, percentual que sobre para 60% entre as mulheres), acessórios de informática e celular (33%), cosméticos e perfumes (26%), brinquedos, jogos e games (26%) e eletrônicos, como tablets, notebooks e câmera digital (22%, número que cresce para 30% entre os homens).

De acordo com o estudo, o valor médio gasto na última compra foi de R$ 140,28. “A compra virtual tem ganhado adeptos, sobretudo pelos preços altamente competitivos praticados por esses sites, que se somam à oferta de produtos que nem sempre estão à disposição no mercado nacional”, avalia a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Prazo de entrega é maior desvantagem para 62% dos consumidores; segurança no processo de pagamento é fator considerado por 51%

Os entrevistados apontaram também as desvantagens em comprar produtos por meio de sites internacionais. O prazo na entrega foi considerado a principal delas, mencionado por 62%. Em seguida, os internautas citaram  a incerteza de que o produto será entregue (50%), o risco de apreensão da compra ou cobrança de impostos pela Receita Federal (48%) e o pagamento de taxas de importação (40%). Além disso, metade admite receber com frequência os itens adquiridos fora do prazo (50%).

Ainda segundo a pesquisa, três em cada dez compras são recebidas em um intervalo de 31 a 60 dias (30%), enquanto 26% dos produtos adquiridos chegam entre 61 a 90 dias. Em média, o prazo para a entrega de compras em sites internacionais é de 67 dias. Quanto aos custos de entrega, 51% afirmam ter pago frete na última compra feita e 63% dos compradores não tiveram de pagar impostos de compras internacionais no Brasil. Outro dado mostra que 58% dos consumidores digitais adquiriram algum produto em sites do exterior nos últimos três meses e em média foram feitas três compras no período.

Entre os fatores levados em conta ao realizar uma compra em sites fora do país, em primeiro lugar está o preço baixo (65%). Depois, os internautas destacam a segurança do sistema de pagamento (51%) — percentual que aumenta para 59% entre os homens —, o fato de ser uma loja conhecida (49%), o site ser traduzido para o português (43%) e a experiência de outros compradores (29%).

Para o educador financeiro do Meu Bolso Feliz, José Vignoli, um ponto de atenção é a possiblidade de fraude. Se no Brasil é preciso cuidado com sites duvidosos, os riscos de golpes são ainda maiores com as compras virtuais no exterior. “É preciso redobrar a atenção e pesquisar bem sobre o site. Vale a pena olhar quem já comprou e analisar os depoimentos, como reclamações, por exemplos. Trocas e devoluções costumam ser mais difíceis de se resolverem”, orienta.

Metodologia

No estudo foram entrevistados consumidores das 27 capitais brasileiras, entre homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econômicas que fizeram compra pela internet no último ano. A amostra de 815 casos foi feita em um primeiro levantamento para identificar o percentual de pessoas que compraram pela internet nos últimos 12 meses. Em seguida, continuaram a responder o questionário 611 casos, que fizeram alguma compra ao longo deste período. A margem de erro é de 3,4 pontos percentuais para um intervalo de confiança a 95%. Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *